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terça-feira, 12 de junho de 2012

OS PAIS DA IGREJA E O LIVRO DE ENOCH


 
Muitos amavam e respeitavam o livro. Convencidos de que os anjos do mal estavam  em atividade no mundo, os primeiros pais da igreja citavam frequentemente o livro. Justino mártir, em sua “Segunda Apologia”, concorda com a história abordada pelo livro.  Atenágoras, em sua obra “Legatio”, escrita no ano 170, apresenta Enoch como um verdadeiro profeta.  Lactâncio (260-330) e Taciano (110-171), apologistas cristãos, especularam com detalhes sobre a encarnação dos anjos caídos. Irineu, bispo de Lyon no século III, faz referências a história de Enoch. Tertuliano (160-230) era um grande defensor do livro. Clemente de Alexandria (150-220) fala dos anjos que renunciaram á beleza de Deus em troca da beleza que desvanece, caindo do céu para a Terra.  Origines (186-255), um aluno de Clemente e grande pensador da sua época, mais de uma vez chamou Enoch de profeta e citava livremente o seu livro.
 
A REJEIÇÃO DO LIVRO

Os pais da igreja tiveram dificuldade para aceitarem o ponto de vista do livro de Enoch e procuraram outra explicação para encaixarem o capítulo 6 do Gênesis. Estes mestres da igreja acreditaram que o profeta Isaias 14:12-15; está descrevendo a queda de um arcanjo e seus aliados. Esta queda seria em função da sua soberba, ele queria ser igual a Deus. Para evitar a  idéia de que os anjos haviam se materializado e mantido contato sexual com as mulheres humanas, eles seguiram a linha de raciocínio  de um mestre da igreja, Julio Africano, que aceitava os “filhos de Deus” como sendo uma referencia aos filhos de Set que teriam tomado como esposas as filhas de Caim. No século IV, Ephraem, uma autoridade eclesiástica da Síria, também seguiu esta idéia. Jerônimo (348-420), doutor da igreja e especialista em hebraico, qualificou a obra de Enoch  como apócrifa e declarou que seus ensinos eram iguais aos do maniqueísmo.

O maniqueísmo foi uma religião que competiu com a igreja, foi fundada no ano 240 pelo profeta Mani, que se declarava um apóstolo de Jesus. Ele pregava uma síntese (budismo, zoroastrismo, cristianismo). Crisóstomo (346-407), concluiu que aceitar os “filhos de Deus” como anjos é uma idéia absurda. Santo Agostinho (354-430), rejeitou igualmente que os anjos jamais poderiam ter assumido um corpo e terem tido relações com mulheres, mesmo afirmando que há casos na Bíblia em que anjos aparecem aos homens em corpos que podiam não só ser vistos mas tocados. O rabino Simeon Bem Yohai lançou uma maldição aos que acreditassem serem  anjos, “os filhos de Deus”, do Gênesis 6.Esta maldição proferida no século II A.D., colocou o mundo judeu contra o livro de Enoch. Como tinha conhecimento desta questão, Orígenes (séc. III), afirmava ser esta a razão principal pela qual o livro não era mais aceito pelos judeus.


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